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quinta-feira, 27 de novembro de 2014


Diário de um Poeta


Olhar é tão pessoal
Que cada um vê as coisas a sua maneira
Ou vê com os olhos dos outros...
Ou nem vê...

Minha vida é como um castelo de areia
Sempre tenho que reconstruir alguma coisa

O café é meu cúmplice e companheiro
Sabe tudo de mim...

Já caminhei tanto
E nunca fui a lugar algum...
Hoje, parado,
fui a lugares que jamais pensei ir.

Se persisto na pena
É porque não me dei com a enxada
Um Poeta não serve para ser figurão
Ou escreve, ou vai para o talhão.

Eu penso melhor
quando ouço o barulho da água,
ou quando o silencio me abraça.

Eu me procurei a vida toda
Mas só me encontrei quando tive realmente
coragem...

Eu gosto das plantas
Elas são persistentes.

Quando uma criança lhe interrompe,
de atenção
O propósito dela é o mais importante
de sua vida.

Luciano Andrade PATCHANNS
 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014


Diário de um Poeta


Sinto falta de chorar
Esvaziar-me um pouco
Mesmo o mármore pode chorar
Eu não...

Eu queria ver a perfeição
Esta que todo mundo vê
Eu não...
Ser perfeito é demais pra mim
Onde esta a perfeição, sendo apenas dez dedos das mãos...

Eu queria sentir o cheiro da alma
Nem toda flor atraia para polinizar
Umas, querem só se alimentar

Eu já estou morto
Morri quando aqui cheguei
Tirei meu atestado de óbito, lá no cartório,
No dia em que nasci
Depois RG, CPF, Carteira de Trabalho e conta em banco
Tudo cronometrado para me enterrar aqui
Morri, porque vi todo mundo morto
Achei que era assim...

Eu vejo quadros que não retratam nada
Não sei o que significam...

Vejo um monte de conceitos infundados
Sobre quem está certo ou quem está errado
Pra mim, está todo mundo errado

O Sol quando se põe
Não leva consigo o dia
Só a luz...

A Faca não fere sozinha...

A Fé desnorteia
Por isso trás bem estar.

A força da Natureza é tão grande
Que estamos aqui, só porque ela quer.

Deus não pode punir você
Só você pode fazer isso...

Luciano Andrade PATCHANNS
 

sábado, 22 de novembro de 2014


Poucas palavras, tudo o que precisa ser dito.

Tudo pode ser dito de muitas maneiras, tudo pode ser debatido e refletido conforme a disposição e intelecto de quem dispõe-se a dizer, ou escrever. Um Livro pode ensinar muito mesmo quando não tem esta finalidade, ou pode apenas contar uma historia. Um livro pode leva-lo a outro país, pode leva-lo a conhecer museus, cidades, jardins, etc., podem até mesmo lhe ensinar a amar, outros podem leva-lo apenas ao Boteco da esquina. A poesia só pode leva-lo a um lugar, e este lugar é "você mesmo".

Mas existem pequenas coisas, gestos e frases, que podem dizer muito mais do que o aprendizado de uma vida toda. Certa vez, em certa fase de minha vida, ainda adolescente, eu estava na pior... Devia ter uns 17 anos, não tinha emprego e havia abandonado os estudos. Lembro-me de estar passando por uma crise existencial, do qual não entendia o porquê, de ter que seguir os dogmas da sociedade. Porque o meu comportamento devia ser assim ou assado, porque eu deveria fazer isso e não fazer aquilo, porque eu deveria agir deste modo e não de outro, sendo que na maioria das vezes eu não sentia que deveria seguir aquilo, que não cabia em mim ser daquele modo ou agir daquele modo. Eu era uma igreja em formação, mas meus alicerces precisavam de um reforço espiritual, e tudo o que eu vera até ali, não me reforçavam em nada, eu só acumulava duvidas. Não existia em meu circulo familiar, social e educacional alguém que pudesse me dar respostas, deste modo, o abandono em busca de mim mesmo se deu, mas como eu, sozinho, poderia descobrir o que eu, sabotando-me, martirizei-me para descobrir.

Foi assim que, por obra do acaso, ou destino, ou de Deus, que a resposta para todas as minhas perguntas surgiu em minha frente. Era uma manhã qualquer, e eu esperava minha namorada em frente à escola, foi então que alguém, do qual eu não me lembro, mostrou-me uma única frase, ele(a) havia aprendido naquele dia ou sei lá por qual motivo estava escrito em seu caderno, mas quando eu a li, tudo se iluminou. Esta frase foi e é até hoje, o livro mais completo que já li,  nada me ensinou mais sobre tudo na vida, no Universo e tudo mais, do que estas quatorze palavras ditas a mais de 2.300 anos A.C, pelo Filosofo Grego Aristóteles.

Ela moldou meu caminho, fez-me o homem que sou, todos os delírios, valores e paradoxos atemporais do qual prezo e valorizo, vieram destas palavras. Ela me ensinou entre outras coisas, Respeito, Tolerância, Humildade, Discernimento, Compreensão e acima de tudo, Igualdade, entre outras coisas...
Ressalto! "O LIVRO MAIS COMPLETO QUE JÁ LI EM TODA A MINHA VIDA.


"O homem, é senhor de sua vontade, mas somente um escravo de sua sabedoria..."

Aristóteles.
Luciano Andrade PATCHANNS

quinta-feira, 13 de novembro de 2014


Tenho duas realidades

Uma me consome, a outra me liberta

Tenho muito a dizer quando não me perguntam

E nada a falar quando sou questionado

Estou lá antes de ter ido

E quando vou embora, ainda nem cheguei

Tenho cisma com o fracasso

E a ele me acostumei

Perder ou vencer, pra mim tem o mesmo sabor

Não me oriento pelas estrelas, porque não sei ler

Mas se soubesse, não diria

Arrasto-me pelo dia sem nada, ou pouco a pensar

E quando penso, escrevo, cada coisa em seu lugar

Falta delírio às vezes, mas só porque o vento não passou por lá

E meu canário cantador, é quem puxa o despertar

Tenho inveja do meu Ipê, queria estar em seu lugar

Não ir a lugar nenhum, porque sempre vou voltar para o mesmo lugar

Não entendo as horas, só o calor que incomoda

Talvez eu devesse comprar um relógio, ou ir morar lá fora

E já nem sei mais se sou livre ou prisioneiro deste lugar

Meu mundo é tão pequeno, que mal saio do lugar

Mas vivo do mesmo modo

Às vezes pensando demais

Às vezes sem nada para pensar

 

Luciano Andrade PATCHANNS
 

terça-feira, 11 de novembro de 2014


Escolhas
 

Gosto de ficar em minha casa
Não gosto de ficar em casa
Eu não tenho casa para morar

Meu vizinho entra em casa sem me chamar
Não conheço meus vizinhos
Não tenho vizinhos para conversar

Tenho um cachorro que se chama Jacó
Não gosto de animais
Meu cão vai comigo para todo lugar

Sento com minha família para jantar
Em minha casa só se come no sofá
Não tenho nada para Almoçar

Admirando o céu, me perco no tempo
Do céu, não tenho o porque de avistar
Durmo todos os dias ao relento do Luar

Em minha família, tenho a base de meu crescimento
Minha família, só estorva meu planejamento
Deixei minha família  para viver este sofrimento

Trabalho com aquilo que amo
É um fardo ter de trabalhar
Não tem um trabalho que me queiram por lá

Valorizo as coisas simples que tenho
Dou valor a tudo que meu dinheiro pode comprar
Daria tudo para ter quem eu pudesse amar

Assim é a verdade de cada um
Cada qual com seu caminho e julgamento
Sendo apenas o reflexo de seu próprio entendimento

Somos quem nos esforçamos para ser
Vivemos o que nos moldamos para viver
Colhemos o fruto, que plantamos para sobreviver


Luciano Andrade PATCHANNS
 
 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014


Perdido

Esqueci que um dia fui menino
E que quando menino queria ser crescido
E quando crescido, queria ser mesmo um menino
Esqueci o que é ser menino, porque não fui mesmo um menino
E mesmo em meus sonhos, não encontro este menino.

Esqueci de me lembrar
Esqueci de me perder
Esqueci como é cair e se levantar
Esqueci como é ser Bombeiro, Lixeiro ou mesmo um Policial
Esqueci o que eu queria ser, porque talvez eu não tenha mesmo sido
Esqueci, porque cresci, porque fui menino homem
E como homem, não encontro este menino.

Onde esta o meu cachorro?
Meu barquinho de papel, meu chapéu de jornal,
mamona no embornal?
Não está lá este menino
Não está lá os meus sonhos de menino
Não está lá o que eu fui, ou queria ser
Porque não fui, porque nunca sonhei ser
Pobre menino homem
Pobre homem, que nunca foi menino.
 

Luciano Andrade PATCHANNS