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quarta-feira, 26 de março de 2014


Paginas em Branco
 

Minhas paginas em branco
São os dias que não me encontrei
Dias que vivi sem ser eu mesmo
Dias em que me sabotei

Tempos que me fiz valer de centavos
Que não impus meu sustento
Por medo de vencer, me escondi
Convencido pelo método, de que minha postura, não cabia ali

Deixei que escolhessem por mim
Como eu deveria agir
Quem eu deveria seguir
Que aprendizado eu deveria ter

Deram-me classificação
Marcaram meu nome
Excluíram minha importância
Ocultaram minha fome

Nascido filho de Deus
Restou-me a escravidão da rotina
Cercado por linhas mortas
Onde se trafegam sudários de alma

Mas bem no fundo
Incrustado no ser
A personalidade abalada incomoda-se
E a hibernada vontade, novamente aflora

Uma única linha escrita
E a alma adormecida, rompe, e não mais silencia
Jogam-se fora vontades vazias
Retira a veste, de suas mentiras

E eis que o véu que lhe cega
Mostra-lhe caminhos
Com ausência de pão e circo
E a escolha de seguir, determina o princípio

E antes o que era Inverno
Agora colore os campos de minha historia
Escrevo as linhas de minhas paginas
E somente minha vontade me devora

E as paginas em branco eu deixo
Para não esquecer o vazio
De quem não busca a si mesmo
E vive como refém, dos que determinam a sua historia

Luciano Andrade PATCHANNS

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