Paginas em Branco

Minhas paginas em branco
São os dias que não me encontreiDias que vivi sem ser eu mesmo
Dias em que me sabotei
Tempos que me fiz valer de centavos
Que não impus meu sustentoPor medo de vencer, me escondi
Convencido pelo método, de que minha postura, não cabia ali
Deixei que escolhessem por mim
Como eu deveria agirQuem eu deveria seguir
Que aprendizado eu deveria ter
Deram-me classificação
Marcaram meu nomeExcluíram minha importância
Ocultaram minha fome
Nascido filho de Deus
Restou-me a escravidão da rotinaCercado por linhas mortas
Onde se trafegam sudários de alma
Mas bem no fundo
Incrustado no serA personalidade abalada incomoda-se
E a hibernada vontade, novamente aflora
Uma única linha escrita
E a alma adormecida, rompe, e não mais silencia
Jogam-se fora vontades vazias
Retira a veste, de suas mentiras
E eis que o véu que lhe cega
Mostra-lhe caminhosCom ausência de pão e circo
E a escolha de seguir, determina o princípio
E antes o que era Inverno
Agora colore os campos de minha historiaEscrevo as linhas de minhas paginas
E somente minha vontade me devora
E as paginas em branco eu deixo
Para não esquecer o vazio
De quem não busca a si mesmo
E vive como refém, dos que determinam a sua historia
Luciano Andrade PATCHANNS
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